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Antonio Dias

Antonio Dias - Sem Título

Sem Título

nanquim sobre papel

32 x 40 cm
ass. inf. dir.
Antonio Dias - Sem Título Antonio Dias - Sem Título

Antonio Dias (Campina Grande PB 1944)

Artista multimídia.

Antonio Dias aprendeu com o avô as técnicas elementares do desenho. No final da década de 1950, no Rio de Janeiro, trabalhou como desenhista de arquitetura e gráfico. Estudou com Oswaldo Goeldi (1895 - 1961) no Atelier Livre de Gravura da Escola Nacional de Belas Artes - Enba. Na década de 1960, incorporou palavras ou frases às obras. Em 1965, recebeu bolsa do governo francês e reside até 1968 em Paris. Depois, mudou-se para Milão, onde mantém ateliê. Em 1971, editou o disco Record: The Space Between e inicia a série The Illustration of Art. Recebeu, em 1972, bolsa da Simon Guggenheim Foundation para trabalhar em Nova York. Em 1977, viajou para a Índia e o Nepal, onde estudou técnicas de produção de papel. Iniciou uma série de trabalhos que têm como suporte o papel artesanal, o qual se integra às obras pela textura e mistura de pigmentos que contém. Publicou em Katmandu o álbum Tramas, de xilografias. Em 1988, reside em Berlim como bolsista do Deutscher Akademischer Austausch Dienst - DAAD [Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico]. Em 1992, torna-se professor da Sommerakademie für bildende Kunst, em Salzburgo, Áustria, e, no ano seguinte da Staatliche Akademie der bildenden Künste, em Karlsruhe, Alemanha.

A arte da contestação

"Hoje, trabalho de vez em quando. Não me interessa o ato de pintar em si. Pintar me chateia. Só pinto por necessidade de dizer. Considero a pintura uma profissão. Mas se quiserem afirmar a pintura como um trabalho diário, então não sou profissional." Essa declaração, partindo de um dedicado e consagrado artista, pode soar até como uma heresia. Quem a fez, foi Antonio Dias, por ocasião de mostra realizada em Belo Horizonte (MG), em 1966. Desânimo ou desilusão com as artes plásticas? Negação do trabalho realizado? Nada disso. Apenas um sentimento característico dos pintores de vanguarda, em que o presente é apenas uma plataforma para alterar o futuro, traindo a necessidade interior de mutação constante. O mais importante não é o que se fez, mas é ainda aquilo que não foi realizado e que há de ser, inevitavelmente, a ruptura com o presente. A busca do inatingível e o eterno inconformismo, unidos ao talento e profissionalismo, é que fizeram deste pintor uma das figuras mais importantes da pintura contemporânea, com obras figurando em museus de todo o mundo.

O despertar de um artista

Antonio Dias nasceu em Campina Grande (PB) em 1944. As circunstâncias da vida nordestina, rigorosa e incerta, fizeram dele e de sua família um grupo de nômades, pois os primeiros anos de sua vida se passaram vagando de uma cidade para outra, no sertão alagoano, na orla marítima e também nos Estados de Alagoas e Pernambuco. Aprendeu os primeiros traços de desenho com seu avô e, criança ainda, conseguiu dar sentido prático à arte, para ganhar uns trocados, chegando a desenhar rótulos para bebidas. Aos 14 anos, transferiu-se para o Rio de Janeiro,buscando internação numa escola de ensino elementar e já no ano seguinte arrumou seu primeiro serviço como desenhista, ao mesmo tempo em que participava do Ateliê Livre de Gravura da Escola Nacional de Belas Artes. Em 1962, participava de sua primeira exposição no Salão Nacional de Arte Moderna, ainda com trabalhos bem comportados, seguindo fielmente as tendências do modernismo na época. Não duraria muito tempo essa submissão.

Nasce um rebelde

As portas lhe foram abertas por inteiro ao participar do 20º Salão Paranaense de Artes Plásticas, em que não só foi contemplado com a medalha de ouro, como com o prêmio de aquisição de desenho. Assim, a honraria veio acompanhada de dinheiro que chegou em boa hora. Mas o mais importante mesmo, foi o contato com a juventude: «Larguei tudo e parti para conhecer gente de minha idade. Até então, eu só havia andado com gente mais velha do que eu era um contido.» A geração de jovens dos anos sessenta era privilegiada por viver momentos significativos da vida nacional, mas, ao mesmo tempo, tinha de viver momentos de perplexidade entre os ideais que levava consigo e os conceitos impostos como o politicamente correto. Tal dualidade de pensamentos atingiu em cheio o artista, que começou a pintar o homem em raio-x: eram vísceras, o ser humano ferido, a contradição entre a justiça e a força, levando suas ferramentas de trabalho a um engajamento político total. Essa visão política da arte vem acompanhando-o através dos tempos: «Sentia-me preso e descobri, de repente, que milhares de jovens lutavam para a libertação, lutavam por fazer alguma coisa que fosse resultante de suas ideias e de suas relações com o mundo.

Pelos caminhos da vida

Sem o desejar, e sem que isso estivesse planejado, Antonio Dias tornou-se um lider e um parâmetro aos jovens artistas de seu tempo. Mas a situação política brasileira vinha, ano a ano, tornando-se mais tensa e, em 1967, mudou-se para Paris, onde estivera pela primeira vez, dois anos atrás, participando de exposição. Politicamente, Paris não vivia, também, tempos de paz e tranquilidade. Após uma série de conflitos estudantis, mantidos sob controle, estourou a revolta maior dos estudantes, no Quartier Latin, que durou várias semanas e chegou a por em xeque a 5ª República francesa. O pintor mudou-se, então para a Itália, montando seu ateliê em Milão, onde residiu por vinte anos. Finalmente, em 1988, transferiu-se para Colônia, na Alemanha, onde reside até hoje. Antonio Dias foi um dos raros artistas de vanguarda que, praticando uma arte de contestação, se arriscou em firmar âncoras na Europa, e se deu bem com isso.

Pintura sem limites

A arte de Antonio Dias é um desafio permanente ao convencional. Seus quadros não obedecem às regras elementares das duas dimensões. Em alguns deles figuram como medidas a altura, o comprimento e também a profundidade. Na maioria das obras, o artista apela para a tridimensionalidade, usando gesso, colagem e todos os recursos ao alcance das mãos. A técnica mista uma expressão generalizada que por si não significa nada em suas mãos, ganha uma diversidade que chega ao paroxismo: relevo em massa, colagem sobre tecido, óxido de ferro, grafite, pigmentos de toda natureza, que se misturam e se combinam. O importante é jamais ser igual, o essencial é mudar a todo instante. A experiência é a sua própria alma: participou de filmes, gravou disco, foi à Índia, ao Tibet e ao Nepal para aprender coisas diferentes, como a produção de papel artesanal ou a preparação de pigmentos através de vegetais. Mergulhou, enfim, em procedimentos milenares escondidos no mais profundo dos mistérios da Ásia. Tudo isso valeu-lhe o reconhecimento mundial, com o nome mencionado e as obras incluídas no acervo dos principais museus de arte contemporânea no mundo. Em Colônia, Alemanha, ele reside com sua esposa, a cantora lírica ítalo-brasileira Lica Secato. Se toda sua obra não fosse o bastante, Antonio Dias tem importância na arte contemporânea por haver participado e, involuntariamente, liderado uma revolução nas artes plásticas, invertendo a rotação da terra e sacudindo, como um terremoto, os valores tradicionalmente aceitos.

Críticas

"A diversidade dos trabalhos de Antonio Dias, seja na pintura, na escultura ou na utilização do disco ou do videoteipe, situa-se num espaço onde o artista não pode mais se conformar com regras preestabelecidas. É na experiência da modernidade que, com astúcia, sua obra aparece. (...) Neste novo espaço, onde todos os gatos são pardos, o processo de produção do trabalho torna-se importante ponto de referência. A dispersão e diversificação orientadas por uma coerência poética mantêm o caráter assistemático das diversas intervenções e produções. Essa tem sido uma das marcas dos trabalhos de Antonio Dias. Quando nos aproximamos de uma de suas realizações, necessitamos de um certo estrabismo: um olho no que está exposto, outro no problema formulado. (...) Se certos artistas resolveram prolongar o gesto da tradição, isto é, a repetição, Dias reclamou e praticou de modo radical o direito da ruptura. Isto sem os subterfúgios e atalhos fáceis das mudanças de comportamento, mas com a transferência de uma ética baseada nas razões do seu próprio trabalho. (...) Muitos de seus trabalhos, na sua temática, condensam todo o esqueleto que sustenta o essencial da produção de nossa época".
Paulo Sérgio Duarte
DUARTE, Paulo Sérgio. A astúcia de permanecer sempre novo. Arte Hoje, Rio de Janeiro: Rio Gráfica e Editora, v. 1, n. 4, p. 31, out. 1977.

"A impossibilidade da Obra, a possibilidade da arte - esta contradição governa a operação de Antonio Dias a um ponto tal que, mimetizando o filosófo, poderíamos denominá-la um Astúcia da Arte. O raciocínio do artista atravessa o gesto criado inaugural para seguir o percurso problemático da obra no mundo. O resultado, este sim, vai constituir a obra de arte. Ela será afinal a soma, ou antes, o resíduo de todas as mediações: negadas as intenções, violadas as formas, decifrados e distorcidos os conteúdos, só aí a obra de arte aparece no sentido pleno do termo. E desse modo ela se apresenta como o oposto do desvelar puro e metafísico da Idéia: o que o trabalho traz é uma carga magnética de encontros e conflitos, construções e destruições, decisões e indecisões. (...) 
E, a meu ver, foi exatamente a pressão para repotencializar o projeto de emancipação moderno que compeliu o artista a buscar matérias espessas, avessas e resistentes à tradição moderna. Somente o ato singular e 'arbitrário', ininteligível à démarche da ciência, de resgatar o momento da pré-história e da natureza, somente uma investigação 'improdutiva' dessa ordem, conseguiria manter a arte contemporânea no registro do Atual, contra os vários arcaísmos em moda, os renitentes obscurantismos sempre à espreita. (...) 
E o prevalecimento final, em meio a tantas nuances expressivas, de uma certa ordem gráfica, antipictórica, reitera a astúcia do trabalho. É mais uma prova de sua alergia às identificações e empatias imediatas. Com toda a eventual explosão do imaginário, cores e manchas desempenham aqui um papel discreto, desempenham a função de sinais entre procedimentos que visam sobretudo articulações conceituais. De fato, seriam, digamos, funcionalmente viscerais, funcionamente caóticas. A carga literária dos signos, por outro lado, vem negada pela sua visualidade obscura e críptica que escapa assim às seguidas tentativas de nomeação. 
A superfície saturada e heterogênea, com as marcas promíscuas das 'cavernas' e da 'pop', exibe a condição excessivamente histórica do trabalho. E ainda a sua resolução de abrigar  e reinvestir todas as memórias, erosões e cicatrizes da modernidade. Esses fragmentos históricos seriam os elementos da narrativa contemporânea, racional e convulsiva, de Antonio Dias. No limite entre o combinatório e o aleatório, essa narrativa acompanha de certo modo o raciocínio altamente complexo e abstrato do mundo atual, sua lógica implacável e indiscriminada. Mas o modo de individuação da obra é a antítese do processo de produção técnico. Neste a série subsume inteiramente o objeto e lhe confere uma estrita identidade funcional. A serialidade 'aberta' de Antonio Dias, ao contrário, coloca um dilema para a existência individual de cada obra e para a coeência do todo. A verdade parece estar sempre onde não a procuramos - ela flui entre a presença irônica e esquiva das obras e tampouco se deixa captar como um esquema ideal a priori. A verdade está nesse movimento, nessa diferença, entre a presença da obra e sua inteligência conceitual. Nessa rede de nexos, ao mesmo tempo rigorosos e equívocos, a única verdade é o dilema da verdade".
Ronaldo Brito
BRITO, Ronaldo. Antonio Dias. Rio de Janeiro : Grafit, 1985. n. p.

"Seu ingresso no circuito artístico começou cedo. Com apenas 20 anos realiza sua segunda exposição individual no Rio de Janeiro, apresentada pelo crítico francês Pierre Restany. Em seguida, ganha o prêmio de pintura da Bienal de Paris. Dias pode ser definido como artista multi-mídia: dos anos 60 até hoje já fez vídeo, fotografia, instalação, história em quadrinhos, trabalhos sonoros, livros de artista, super-8, artes gráficas. . . Em início de carreira, contou com a proteção de Corneille, do Grupo Cobra - uma postura que passa a adotar quando se trata de apresentar 'novos talentos' a marchands (sendo Leonilson o caso mais conhecido).   (...) 
Na verdade, Dias se notabilizou com a série de papéis produzida no Nepal - fruto de um trabalho que durou cinco meses, praticamente na selva, com vinte e cinco operários de quatro tribos diferentes, investigando formatos diferentes e materias inusitados, como o chá, o barro, etc. Ele conta que, na aldeia, enquanto um papel redondo era simplesmente chamado de 'galô' (significando círculo), vários desses papéis reunidos era reverenciados como o nome de 'Niranjanijakhar' (traduzindo: céu, infinito; buda, enfim). Assim, por acaso, Dias descobre que havia materializado um sentimento religioso através da intensidade do vécu naquele território. Não basta ser um viajante  que coleciona postais. A lição apreendida através do 'Niranjanijakhar' é que a história da obra de Antonio Dias, mesmo que realize uma incursão pelo mundo, é sempre a história do próprio Antonio Dias, sujeito visceralmente comprometido com sua experiência. 
Preocupado em disciplinar as referências autobiográficas, Dias encerra, em seu processo de criação, uma química carregada de ambigüidades. Aqui, 'revolução',  'pai' e 'violência' são temas movidos por um motor íntimo, mas que transcendem o  pulsão catártica: 'Não quero ser didático porque não quero ceder a ninguém meu percentual humanóide. Minha pintura preserva um certo hermetismo em que o segredo deve permanecer em segredo'. Pois escrever sobre arte implica justamente em atravessar a aparência do quadro. Enquanto o olhar que é lançado sobre a obra pertence ao registro do espectador, o registro sobre o mundo reveste-se de um voyeurismo todo particular. O mecanismo desse olhar-voyer contém a carga hermética que nenhuma literatura consegue reconstituir".
Lisette Lagnado
LAGNADO. Lisette. Antonio Dias/Discurso Amoroso. In: Galeria/Revista de Arte, 15 São Paulo 1989. p. 71-72.

"Talento precoce, soubera, após desenvolver primeiro uma pintura de evocações de Klee, afinidades com Tàpies e o abstracionismo lírico, deixar essa orientação. A partir de 1963, mudou o direcionamento de sua poética optando por fazer uma arte autobiográfica. Sua produção é de mosaicista, de fotomontagens, reunindo um imaginário de terrores, destruições, de anatomia e de sexo. A iniciação para esse novo rumo foi através do desenho, o que torna explicável a permanência de valores gráficos de divisão de espaços e das formas fragmentadas em seus alvéolos, ou macromosaicos, observáveis em Fumaça do Prisioneiro. 
Contrariamente às linhas do expressionismo, o artista não se atara à compulsividade na operação do fazer artístico; através do meio gráfico, mais frio, ele clarifica seu discurso anterior. Fazia, entretanto, concessões ao jorro subjetivo e compacto das imagens, mantendo-as amalgamadas, mas não confusas, perfeitamente identificáveis na sua fragmentação. Na insistência da visualização desses pedaços de carne e ossos lacerados, em suas narrações pessoais compunha uma comic-strip - feroz e crua - da rudeza sertaneja nordestina tomada nos extremos de vida e morte, de paixão e violência, de sexo e carnificina".
Daisy Valle Machado Peccinini de Alvarado
ALVARADO, Daisy Valle Machado Peccinini. Figurações no Brasil anos 60: neofigurações fantásticas e neo-surrealismo, novo realismo e nova objetividade. São Paulo: Itaú Cultural: Edusp, 1999.  p. 120-121.

"Nossa indagação, portanto, volta-se para o lugar histórico de Dias como um dos principais elos entre três gerações fundamentais da arte brasileira: o modernismo, o neoconcretismo e os artistas dos anos 70. A obra de Dias é, assim, um nexo entre essas diferentes posições. Antes de tudo, ele foi aluno de Oswaldo Goeldi, o gravador modernista que veio a ser visto por muitos como o padrão ético do artista brasileiro. A melancolia de Goeldi corresponderia ao que se considera como aridez na obra de Dias, que de seu mestre herdou a capacidade de equilibrar um pathos denso e o rigor gráfico. Se o modernismo buscou definir um eu brasileiro, o neoconcretismo recorreu à teoria da Gestalt para investigar a percepção fenomenológica. Os processos de subjetivação , explorados por Lygia Clark, acabariam abrangendo a fantasmática, enquanto a obra de Oiticica se fundamentou no 'sujeito marginal'. Deste ângulo, Dias foi capaz de deslocar a crise do sujeito para o sujeito linguístico e para o artista, já não só como criador de linguagem, mas em seu papel político de produtor. 
Antonio Dias é, ainda, o nexo principal entre os neoconcretistas e os artistas dos anos 70: entre Hélio Oiticica e Cildo Meireles, Lygia Clark e Tunga, os não-objetos e Waltércio Caldas, não se distanciando de Ivens Machado e Iole de Freitas, ou mesmo dos que atuavam nos anos 60 ao lado de Cildo, como Barrio, Raimundo Collares e Antonio Manuel. Dias tempera a presença da palavra entre a arte conceitual e a tradição da poesia concreta. É encontrado elaborando sobre a  fenomenologia da percepção e a recuperação traumática do sujeito. Responde à violência através da politização e do despojamento de seus materiais. (...) 
Para Antonio Dias, a arte é prática social, abrangendo sua produção e circulação como mercadoria, e a crítica social do processo de institucionalização, como na série The Illustration of Art (1971-78). O incorformismo político encontra seu diagrama na reavaliação crítica do sentido da própria forma, portanto da linguagem enquanto campo social. São signos da resistência e de uma produção que recusa os parâmetros idealistas da mera 'arte engajada'. a descoberta de The Annotated Alice (1960), de Martin Gadner, assinalou um 'corte epistemológico' para o olhar de Dias. 'Minhas leituras não são propriamente de economia: lógica simbólica, matemática, ciências, coisas que me fazem imaginar situações plásticas (...). O que me marcou muito', - prossegue o artista, 'foi um artigo de Robert Smithson. Era interessante a questão dos sites e non-sites. Pegava mapas de não-lugares de Lewis Carrol'. Para redefinir o estatuto do objeto, Dias joga xadrez com Duchamp por intermédio de Alice".
Paulo Herkenhoff
DIAS, Antonio. Antonio Dias. São Paulo: Cosac & Naify, 1999. p. 27 e 30.

Depoimentos

"Eu trabalho com um vocabulário plástico bastante simples. Digamos que eu tenha uma superfície: primeiramente nada existe que a defina. Eu necessito, para tanto, de criar uma distinção. Você pode determiná-la, por exemplo, através da lógica: desenhando uma linha divisória nesta superfície, está criada a diferença. Na pintura, tive sempre em mente a imagem do quadro como um objeto de pouca espessura que, enquanto corpo físico, tem seu lugar na parede. Para mim, é mais do que simplesmente uma superfície bi-dimensional de representação, ele é, enquanto matéria, tão físico quanto qualquer outra coisa. Então o que procuro, é criar uma relação entre a matéria do objeto e a matéria que o observador traz de si durante a experiência do observar. Ele vê algo além, no quadro. Talvez ele veja algo que lhe mostre algo, que eu não sabia estar lá. A minha idéia era representar algo que fosse de ser e de não-se ao mesmo tempo; o que não pode ser descrito por um outro sistema de comunicação. Eu me disso: para tornar isto visível, terei de suprimir parte disto (...)"
Antonio Dias
DIAS, Antonio. Antonio Dias: trabalhos = Arbeiten = works: 1967-1994. Ostfildern: Cantz, 1994

Exposições