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Di Cavalcanti

Di Cavalcanti - Moça

Moça

óleo sobre tela
déc. 1930
46 x 38 cm
ass. no verso
Etiqueta da Galeria Ipanema no verso.
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Di Cavalcanti (Rio de Janeiro RJ 1897 - idem 1976)

Pintor, ilustrador, caricaturista, gravador, muralista, desenhista, jornalista, escritor e cenógrafo.

Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo, conhecido como Di Cavalcanti nasceu na Rua do Riachuelo, no velho centro do Rio, na casa do célebre abolicionista José Carlos do Patrocínio (1853-1905), o maior de todos os jornalistas da abolição, que se casou com sua tia materna Maria Henriqueta de Senna. “Na minha primeira infância, recebi a influência de Joaquim Nabuco, Olavo Bilac, Machado de Assis, e tantos outros intelectuais que freqüentavam a casa de meu tio. Amava-se Victor Hugo, Castro Alves, a música romântica de Chopin, a Marselhesa, onde a palavra Liberdade era um leit-motiv., Di Cavalcanti.

“A arte brasileira depende da realidade brasileira
e é ao mesmo tempo reveladora dessa realidade.
Por isso nossa expressão é ainda em grande parte lírica.
Como pode o Brasil ter uma arte trágica e grandiosa
sem que se faça a revoluição social?”
Di Cavalcanti

Com onze anos, recebeu aulas do pintor Gaspar Puga Garcia, paisagista de formação acadêmica, o qual, em 1911, se suicidou em virtude de uma acusação de plágio envolvendo uma exposição no Salão Nacional de Belas Artes e a(s) obra(s) do pintor Rodolfo Amoedo, até hoje não completamente esclarecido.

1914: Com a morte de seu pai começou a trabalhar fazendo ilustrações para a Revista Fon-Fon.

1916: Entrou para a Faculdade de Direito no Rio de Janeiro, continuou seus estudos na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, quando da sua mudança para São Paulo, mas os abandonou em 1922 ca., exercendo a atividade de ilustrador de livros e vivendo a maior parte das duas décadas entre São Paulo e o Rio de Janeiro e realizando sua primeira exposição individual de caricatura em 1917 – Livraria “O Livro” – na capital paulista.

1922: Di Cavalcanti ajudou a idealizar e organizou a Semana de Arte Moderna no Teatro Municipal de São Paulo, verdadeiro ponto de inflexão no modo de ver o Brasil.

Vale um pequeno comentário cuja finalidade última é aguçar ulteriores pesquisas por parte do amigo leitor (vide bibliografia).  No Brasil, o internacionalismo – recurso utilizado para o rompimento com o academismo passadista – e o nacionalismo são, simultaneamente, as correntes básicas do movimento modernista nas letras e artes, a partir da segunda década do século passado. A "redescoberta" do país, no entanto, é motivada pelas constantes viagens dos modernistas à Europa e ao reconhecimento de uma cultura brasileira, ao retornarem do exterior! A idéia da “Semana” atribuída à senhora Paulo Prado – Marinette Lebrun – se materializa com sua sugestão para que se faça algo como se costuma ver nas temporadas em Deauville, França: temporadas com diferentes festivais, mesclando moda, exposição de quadros, concertos e outras atrações. Di Cavalcanti se entusiasma e leva adiante a proposta do evento, que marca o início do modernismo no Brasil.

1923-1925: Durante o período, o pintor fez sua primeira viagem à Europa. Instalou-se em Paris e expôs em diversas capitais européias. Talvez seu passado ligado às artes gráficas o conduziu à Academia de Paul-Élie Ranson – pintor pós-impressionista francês, fundador do “Movimento Nabis” e profundamente ligado aos “Simbolistas” – na qual estudou a simplificação do desenho e da cor.

Certamente tomou conhecimento das vanguardas européias da época através das obras de Picasso, Braque, Matisse, Léger, Di Chirico e muitos outros, revestindo-as de novas roupagens e reinterpretando-as através de uma ótica nacionalista e popular. O Picasso que conheceu através da Academia Ranson foi o “Ingresque” ou o do “Le rappel à l’ordre” – segundo a terminologia do poeta Jean Cocteau – representado pela substituição das experimentações cubistas, por uma pintura de matriz clássica, cujas obras conservou na memória e delas extraiu sua própria linha criativa.

A Europa que Di visitava, emergente da Primeira Guerra Mundial e de suas mazelas fortemente subestimadas quando do seu início, mostrava sinais do movimento artístico do “Rappel à l’Ordre” que propusera, aos artistas da então vanguarda – os mesmos que haviam contribuído a renovar as antigas fórmulas expressivas ligadas à tradição – uma releitura de inspiração clássica, baseada também na necessidade de reconstrução que se havia tornado uma necessidade impositiva para toda a Europa. Não obstante pintarem figuras de proporções monumentais – relembrando os antigos pro tótipos gregos e romanos – tais pinturas são produzidas de uma maneira não-clássica, com movimentos inusitados, às vezes conturbados.

Tal foi o impacto que ele próprio descreveu:

“…Paris pôs uma marca na minha inteligência. Foi como criar em mim uma nova natureza e o meu amor à Europa transformou meu amor à vida em amor a tudo que é civilizado. E como civilizado comecei a conhecer a minha terra.”

“... dois acontecimentos marcaram minha vida: conheci Picasso e assisti às comemorações fúnebres da morte de Lenine.”

“Aumenta dia a dia o número de meus amigos parisienses”: Cocteau, Blaise, Matisse, Jules, Supervielle, Eric Satie, Marcel Achard, Elie Faure, Carco... mas a revolução de 1924 fechou o Correio da Manhã – de quem era correspondente – uma miséria cinzenta ... imobiliza-me, em 1925 volto – ao Brasil.”

1935: Durante esta década, apesar de participações em exposições coletivas, salões nacionais e internacionais e sucessivas prisões de caráter político volta a Europa em 1935 permanecendo por cinco anos.

1940: Retorna ao Brasil, fixando-se em São Paulo, iniciando através de conferencias e escritos a combater o abstracionismo. Continua a expor no Brasil e no Exterior, sempre rodeado por muitas mulheres, sua marca registrada.

1950-1960: É convidado e participa da I Bienal de São Paulo, 1951, nega-se porém a participar da Bienal de Veneza. Novamente convidado participa da II Bienal de São Paulo, e recebe o prêmio de melhor pintor brasileiro, prêmio dividido com Alfredo Volpi. Realiza exposições no MAM-RJ, Montevidéu, Veenza e Trieste. É homenageado com uma Sala Especial na Bienal Interamericana do México, recebendo Medalha de Ouro. Continua sua rotina de viagens; o golpe de 1964 o impede de tomar posse como adido cultural brasileiro em Paris, lança um novo livro e desenha jóias para Lucien Joallier.

1970: A musa da vez é Marina Montini. Grande homenagens são a retrospectiva, e o prêmio da Associação Brasileira de Críticos de Arte. Comemora seus 75 anos no Rio de Janeiro, em seu apartamento do Catete.

Falece no Rio de Janeiro em 26 de Outubro de 1976. Ainda naquele ano a Prefeitura de São Paulo cria a Rua Emiliano Di Cavalcanti na Vila Regente Feijó – Grajaú. As exposições póstumas continuaram com alta demanda, justo prêmio paar quem contribui para inserir a arte brasileira no mundo moderno.

Exposições