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Willys de Castro

Willys de Castro - Projeto para pintura

Projeto para pintura

guache grafite e cola sobre papel
c. 1958
50 x 49 cm
sem assinatura
Participou da exposição "Willys de Castro", na Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2012.
Willys de Castro - Projeto para pintura Willys de Castro - Projeto para pintura Willys de Castro - Estudo para Pintura Willys de Castro - Objeto Ativo Willys de Castro - Estudo para Objeto Ativo Willys de Castro - Estudo para Cartaz da V Bienal de SP Willys de Castro - Projeto Willys de Castro - Campos interpostos Willys de Castro - Homem com Chapéu Willys de Castro - Composição

Willys de Castro

Pintor, gravador, desenhista, cenógrafo, figurinista, artista gráfico. Uberlândia, 1926 - São Paulo, 1988.

Willys de Castro foi um artista plástico brasileiro ligado aos movimentos Concreto e Neo-Concreto, que trabalhou com pintura, gravação, desenho, cenografia, figurinos e trabalhos gráficos, apresentando junto à diversidade de sua obra as relações entre forma, cor, espaço e tempo. Através delas abraçou a releitura da linguagem visual de Mondrian e Malevich - suprematismo, abstração geométrica, monocromia e movimentos espaciais - da vanguarda russa, dos artistas do "Stijl" holandês, posteriormente aprofundadas em certas direções por Max Bill - expoente máximo da Escola Suíça - e o grupo de Ulm.

1941: Em São Paulo estudou desenho com André Fort. Durante o período 1944-1949 trabalhou como desenhista técnico e formou-se em Química.  

1950: Inicia estágio em artes gráficas e realiza suas primeiras pinturas e desenhos abstrato-geométricos ovvero,  pesquisas geométricas de rigor matemático aliada à simplificação da forma, fato que o provoca a executar obras de cunho construtivista (em 1953 ca.) que o aproxima aos relevos tridimensionais de Vladimir Tatlin (1885-1953), cuja expressão artística seria perseguida, anos mais tarde, pelo realismo socialista implantado por Josef Stalin. Outros elos importantes: (1) Wasilli Kandinsky (1866-1914) em 1911, na Alemanha (2) o De Stijl, criado em 1917, que reúne Piet Mondrian (1872-1944), Theo van Doesburg (1883-1931) ao redor das pesquisas abstratas e (3) o suprematismo, fundado em 1915 por Kazimir Malevich (1878-1935), também na Rússia.

Claro está que o entendimento da produção artística de Wyllis passa pelo entendimento dos movimentos relativos ao suprematismo, neo-plasticismo - pintura geométrica abstrata composta por linhas negras horizontais e verticais em fundo branco co-participantes de blocos coloridos com cores primárias &lsquovermelha, azul e amarela&rsquo, típicas de Piet Mondriam (1872-1944) - construtivismo, concretismo, liderado em são Paulo nos anos 1950, por Waldemar Cordeiro implicava numa forma abstrata de arte sem nenhuma representação ou conteúdo simbólico que o próprio trabalho em si poderíamos dizer:

"O contexto desenvolvimentista de crença na indústria e no progresso dá o tom da época em que os adeptos da arte concreta no Brasil vão se movimentar. O programa concreto parte de uma aproximação entre trabalho artístico e industrial. Da arte é afastada qualquer conotação lírica ou simbólica. O quadro, construído exclusivamente com elementos plásticos - planos e cores -, não tem outra significação senão ele próprio".

O movimento desdobrou-se, no Brasil, pelo "neo-concretismo" carioca, a partir de 1959 leia-se:

"Contra as ortodoxias construtivas e o dogmatismo geométrico, os neoconcretos defendem a liberdade de experimentação, o retorno às intenções expressivas e o resgate da subjetividade."

1960's: Em sua obra destacam-se historicamente os "objetos ativos", realizados no período unindo a cor da pintura ao relevo da escultura. Em geral são obras pintadas sobre tela e coladas sobre madeira, exibindo pintura geométrica em três de suas quatro arestas, prendendo-se a quarta aresta à parede, de maneira que o espectador não consegue abranger num único olhar a extensão do trabalho.

1954: ...funda com Hércules Barsotti (1914-2010) um estúdio de projetos gráficos e participa do movimento Ars Nova, realizando poemas concreto-visuais apresentados no Teatro Brasileiro de Comédia - TBC. É co-fundador da revista Teatro Brasileiro, em 1955. Faz cenários, figurinos e peças para o Teatro de Arena e o Teatro Cultura Artística. Em 1957, recebe prêmio da Associação Paulista de Críticos Teatrais e trabalha como conselheiro-técnico da revista Vértice.

Em 1958, viaja a estudo para a Europa e, no ano seguinte, ao voltar une-se ao Grupo Neoconcreto do Rio de Janeiro, ao lado de Hércules Barsotti, Ferreira Gullar (1930-...), Franz Weissmann (1911-2005), Lygia Clark (1920-1988), entre outros.

1960: Entre 1959 e 1962, realiza a série Objetos Ativos, trabalhos que exploram o plano e o volume como elementos plásticos, questionando a utilização da tela enquanto suporte da linguagem pictórica.

É co-fundador e membro da Associação Brasileira de Desenho Industrial - ABDI e do Grupo Novas Tendências. De 1966 a 1967, projeta estampas para tecidos voltados a produção industrial.

Na década de 1980, inicia pesquisa de construções em madeira, metal, inox e outros materiais, com efeitos de cor e movimento, os Pluri-objetos.

Na "Exposição Willys de Castro", com curadoria da historiadora Regina Teixeira de Barros apresentada em 2012, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, percebe-se as grandes grupos temáticos a saber: "Anjos" (1955),  "Soma entre planos" e "Objetos ativos" (1959 - 1962), "Pluriobjetos" (1988) e Projetos gráficos.

Apesar da liderança dura e inflexível de Waldemar Cordeiro, os concretistas guiavam-se por caminhos distintos entre eles: Fiaminghi, Saciloto, Noguerira Lima, Cordeiro, Lothar Charoux e o próprio Wyllis sem esquecermos os cariocas Amílcar de Castro, Weissmann, Palatnik, Carvão, Lygia Pape, Oiticica entre outros.

Florilégio

Willys de Castro realizou suas primeiras pinturas no fim da década de 1940 e, a partir de 1950, trabalha com abstração geométrica. Em 1954, funda com o artista Hércules Barsotti (1914) o Estúdio de Projetos Gráficos, no qual trabalha até 1964. Dedica-se à programação visual e a projetos de padronagens para tecidos. Nas décadas de 1950 e 1960 trabalha também na confecção de cenários e figurinos para teatro. A produção do artista, na segunda metade da década de 1950, relaciona-se à dos artistas do movimento concreto. Denomina suas obras simplesmente de Pinturas, numerando-as ou indicando tratar-se de segunda ou terceira versão. Trabalha com um número deliberadamente restrito de questões: equilíbrio, tensionamento e instabilidade.

A obra Desintegração 5 (s.d.) apresenta uma estrutura formada por triângulos coloridos, distribuídos em um eixo central-diagonal, que tende a girar sobre si mesmo. Esses triângulos estão unidos uns aos outros apenas por um dos vértices. A composição sugere um equilíbrio prestes a romper-se e é estabilizada pelos triângulos que se formam nos vazios entre os triângulos coloridos. Assim, convivem nessa obra simetria e assimetria e elementos reais e invisíveis. Em Pintura 172 (s.d.), o artista apresenta a metáfora do eclipse, explorando a passagem de uma forma circular sobre outra. Já no outro quadro Pintura (1958) Willys lida com a relação de contigüidade e distanciamento: como em um jogo de bilhar, as esferas se tocam e impulsionam umas às outras. Nessas obras, trabalha com elementos e questões comuns ao movimento concreto: cores puras, formas geométricas, efeitos óticos e cinéticos e proximidade com o design gráfico. A estrutura básica do quadro não é rompida, como acontece em obras realizadas posteriormente.

A partir de 1959, cria os Objetos Ativos, suas obras mais conhecidas, constituídos por peças de madeira retangulares - perfis ou réguas de madeira - recobertas de telas, com três superfícies pintadas de maneira abstrato-geométrica. Esses objetos são fixados à parede por um dos lados. A pintura apresentada no plano frontal demonstra, assim, uma continuidade nos planos laterais. O espectador deve movimentar-se e seu olhar precisa percorrer as superfícies para observar o objeto em sua totalidade. A obra parece flutuar no espaço e é criada no momento de sua percepção. O artista trata de questões relacionadas ao conflito entre superfície bidimensional e espaço real. Sua proposta é questionar a utilização da tela como suporte da linguagem pictórica e, dessa forma, aproxima-se da mesma vertente a que pertencem os trabalhos neoconcretos de Lygia Clark (1920 - 1988) e de Hélio Oiticica (1937 - 1980).

Depois de quase duas décadas sem expor, em meados de 1970 e com base em pesquisas iniciadas com os Objetos Ativos, Willys realiza os Pluriobjetos, esculturas de metal ou madeira que resultam de operações semelhantes às dos Objetos Ativos: o deslocamento de uma porção ou elemento que reordena o todo. Dialoga assim com outras experimentações tridimensionais de artistas como Amilcar de Castro (1920 - 2002) e Franz Weissmann (1911 - 2005). Em Pluriobjeto A6 (1988), por exemplo, trabalha com uma estrutura de madeira vertical, na qual explora, através de um deslocamento, a tensão estabilidade/instabilidade, conferindo a esta, entretanto, grande leveza. Nos Pluriobjetos, como nos Objetos Ativos, a obra nunca se completa, porque não existe ponto ideal de observação e o sujeito deve questioná-la de diversos ângulos de visão.

Willys de Castro explora sutilíssimas relações entre forma, cor, espaço e tempo. É um dos mais notáveis participantes do movimento neoconcreto e destaca-se por pesquisas que o levaram a ser um dos pioneiros a romper com a utilização da superfície bidimensional da tela como suporte para a linguagem pictórica. Os Objetos Ativos, para o crítico de arte Frederico Morais, são a sua maior contribuição à arte construtiva brasileira.

Críticas

"Independentemente de sua reduzida produção nos últimos anos - mais concentrado que está na programação visual ou nos projetos de padronagens para tecidos -, Willys de Castro criou, no início da década de 60, quando participante do movimento neoconcreto, uma série de trabalhos por ele próprio denominada de objetos ativos, cuja importância não deixou de acrescentar-se de novos aspectos na atualidade. Tal como nos desenhos e pinturas de Barsotti - mas já dispondo então de toda uma vivacidade cromática, lúdica e lírica, além de se colocarem claramente no caminho de superação do plano pelo espaço -, esses objetos propunham mais uma vez a velha questão do melhor ponto de encontro do virtual com o real. Eram peças de madeira, na espessura de tábuas, geometricamente tratadas pela pintura em três das suas quatro superfícies com a quarta superfície ficavam presas à parede, de modo que o espectador podia realizar um percurso de visão de 180 graus, jamais conseguindo, no entanto, dispor a um só momento de toda a percepção de cada uma dessas peças. Ferreira Gullar, ao referi-las, nelas discerniu uma tentativa de eliminação da ´superfície básica da pintura, reduzindo o plano frontal da obra ao fio da superfície, à sua espessura. A cor que ocupa de alto a baixo esse exíguo plano rompe-se de repente em determinado ponto e o fragmento de cor, que falta ali, desliza para o plano lateral, indicando uma continuidade da superfície fora do plano. O problema colocado nessas obras é interessante e novo, porque repõe noutros termos o conflito entre a superfície bidimensional e o espaço de profundidade real: o tempo - o movimento do espectador - recupera a bidimensionalidade do espaço tridimensional´. Hoje, nos poucos novos objetos produzidos, Willys de Castro na verdade tem procurado aperfeiçoar aquela antiga pesquisa, inclusive, episodicamente, no campo do múltiplo, para dela extrair toda a riqueza de possibilidades implícitas".
Roberto Pontual
PONTUAL, Roberto. Arte/ Brasil/ hoje: 50 anos depois. São Paulo: Collectio, 1973. p.393.

"(...) Menos do que promover sínteses e acrescentar coisas ao mundo, Willys de Castro parece determinado em dissecar os milagres da razão, descer às várias e complexas dimensões, às várias e complexas articulações que produzem uma coisa, toda e qualquer coisa. Por isto, desde os objetos ativos de 1959, a estratégia sempre foi menos criar objetos do que evidenciar o caráter problemático do objeto, mostrar por assim dizer a sua situação, apontar para a sua natureza. No limite, investigar as condições de seu aparecimento. E se o problema do aparecer remonta, com toda a certeza, à mais pura tradição da metafísica grega, recebe aqui uma resposta decididamente moderna - trata-se de interpretar a percepção como uma certa modalidade de fazer lógico. Claro, a arte não repete, não deve repetir simplesmente as formulações da ciência. Basta lembrar a dissensão do artista frente ao mecanismo concretista. A dimensão estética faz muito mais: repõe o indivíduo no conturbado e estranho mundo atual ao levá-lo a fazer a experiência sensível do Real como o compreende e erige a ciência moderna. À maneira de Josef Albers, por exemplo, Willys de Castro vê a arte como um esforço de estruturação do real paralelo ao da ciência e indissociável dela. Se alguém argumentar que haveria, assim, algo de ciência nesta arte, talvez sejamos obrigados a concordar. Para logo acrescentar que, em última instância, também haveria algo de arte na ciência".
Ronaldo Brito
MODERNIDADE: arte brasileira do século XX. Paris: Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris, 1988.

"Willys de Castro e Hércules Barsotti são dois artistas de São Paulo que, dissentindo da liderança de Waldemar Cordeiro, aproximaram-se do grupo carioca e participaram das mostras neoconcretas. Como pintores, tanto um quanto outro utilizavam-se de um vocabulário econômico derivado das experiências concretistas. Willys de Castro, porém, questionava a utilização da tela como suporte da linguagem pictórica e foi isso que o levou a criar os 'objetos-ativos' (...). Os 'objetos ativos' de Willys de Castro derivam da mesma vertente inventiva a que pertencem outras obras neoconcretas, especialmente os 'relevos' de Oiticica e algumas 'superfícies moduladas' de Lygia. São afins mas diversos, ou seja, uma resposta diferente à mesma questão geradora de todas essas respostas: o quadro (ou tela) como objeto da pintura. Do mesmo modo que o abandono do acabamento (fini) na pintura impressionista apontou para a autonomia da linguagem pictórica e, nesse curso, para a pintura abstrata, a eliminação do objeto-tema conduziu a ruptura com a superfície bidimensional da tela. Willys, por assim dizer, a posiciona perpendicularmente à parede e nos mostra o seu fio, sua espessura, e pinta nela: realiza uma microcomposição que, por se estender à face lateral da 'tela', sublinha-lhe a tridimensionalidade".
Ferreira Gullar
AMARAL, Aracy (coord.). Arte construtiva no Brasil: Coleção Adolpho Leirner. São Paulo: DBA, 1998. p.178 a 181.

"À primeira vista, os primeiros trabalhos concretos de Willys de Castro são similares às obras dos membros do Ruptura. Valem-se da 'grade' que subsidia o arranjo dos elementos plásticos com fórmulas matemáticas e procuram uma imagem anônima. Entretanto, de imediato, o uso da cor distingue suas obras da produção do grupo. Um dos poucos talentos colorísticos do concretismo brasileiro, entendendo forma e cor de modo indissociável - forma-cor -, o artista indiferente ao dogma cromático de Waldemar Cordeiro e seus companheiros: a prescrição das cores primárias e complementares, a proibição do tonalismo e a dicotomia entre forma e cor com a submissão da segunda à primeira - regras simples mas restritivas, propondo a cor como conceito. (...) As experiências de Willys de Castro no concretismo, visando renovar o plano pictórico e a geometria euclidiana, respectivamente, como estrutura plástica e autônoma e linguagem visual emancipada, se desenvolveram em três vertentes de investigação: o exame da espacialidade característica da tela de cavalete, o estudo das possibilidades semânticas do léxico visual geométrico e a integração das pesquisas plásticas e informacionais em um só veio de experimentação. A conquista de um suporte avesso a manobras ilusionistas e de uma linguagem formal livre da obrigação de figurar as coisas do mundo foram etapas fundamentais no processo de autoconsciência da Pintura e na aquisição pelo pintor de meios plásticos-informacionais auto-presentativos e autônomos".
Roberto Conduru
CONDURU, Roberto. Willys de Castro: o belo na ordem do dia. 1998. 104 p., il. p&b. Mestrado - , Rio de Janeiro, 1998, p. 16-18.

"O esforço de Willys de Castro foi sempre no sentido de realizar uma obra auto-referente, atraindo a atenção do espectador para aquilo que acontece no espaço restrito da obra. Como escreveu o artista: 'Contendo eventos de seu próprio tempo - iniciados, transcorridos, findados e reiniciados - e ali demonstrados clara, fluente e indefinidamente, o Objeto-Ativo inaugura-se no mundo como instrumento de contar a si próprio'. Nele não há mais oposição entre frente e verso, direito e avesso, dentro e fora, centro e periferia, entre o real e o virtual, e, no limite, entre o espectador e a obra. Esta, como que flutua num espaço que ainda não tem nome, pois está sendo criado no momento da percepção. No Objeto-Ativo, como nos seus Pluriobjetos, dos anos 80, o espaço não é unifocal e perspectivista, mas aberto, envolvente, fenomenológico. O olhar do espectador, ativado, precisa estar atendo a tudo que ocorre na tela, relevo ou objeto, ligando o que sobra com o que falta, suprindo vazio com cheio, completando o que está incompleto, indo e vindo, em trajetórias elípticas. O tempo como matéria-prima. Não o tempo da máquina, pendular e repetitivo, mas o tempo orgânico, do corpo, que é sempre imprevisível".
Frederico Morais
TRIDIMENSIONALIDADE: arte brasileira do século XX. 2. ed. São Paulo: Itaú Cultural : Cosac & Naify, 1999. p. 232.

"Enquanto o esgotamento das potencialidades reais e virtuais do plano leva Clark e Oiticica ao abandono definitivo da pintura, Hércules Barsotti jamais deixa de pintar, enquanto Willys de Castro se detém por muito tempo numa zona limítrofe entre o quadro e o objeto. Conhecedor das questões inerentes à pintura, dedica-se como faria um agente duplo a explorar minuciosamente os vários lados do problema. Ciente de que um acontecimento visual mesmo restrito ao plano nunca se esgota numa única leitura, usa de interferências mínimas para induzir o olhar a percorrer a superfície de uma borda a outra, percebendo falhas e deslizamentos, para assim remontar gestalticamente a composição. Através de pequenas aberturas e amplos vazamentos, sugere a continuidade da pintura para além do retângulo do quadro. O transbordamento da tinta para a lateral do suporte e daí para seu verso, um giro de 180 graus, força e resgate da espessura, dada essencial ao volume: na lâmina perpendicular à parede, o que no quadro era lado passa a ser frente e verso desaparece. A ênfase na frontalidade do que na origem foi perfil acaba por reduzir o objeto a um sarrafo onde interferem pequenos recortes e deslocamentos. A pintura enfim desocupa o exíguo espaço e, contra a parede, restam feixes de madeira ou tiras de metal. Passo a passo, através de ações discretas e conseqüentes, Willys de Castro forma seu pensamento plástico, o que equipara sua obra, metodologicamente, a um trabalho de investigação".
Maria Alice Milliet
MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Arte moderna. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo: Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000. p.54.

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