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Frans Krajcberg - UMA HOMENAGEM

23 de Maio à 01 de Julho de 2017

Para falar de Frans Krajcberg e sua obra faz-se necessário observar as últimas transformações dos séculos XX e XXI, assinalam o protagonismo do sistema capitalista mundial nas agressões ao meio ambiente. Essas transformações não debilitaram a essência do modo de produção humana. Na verdade, reforçaramna, uma vez que se acentuou se acentuou a centralidade do ser humano nesse processo. Os efeitos se observam na organização da sociedade contemporânea, nos métodos de produção, na política financeira dos governos, nas relações de trabalho, e principalmente nas relações da sociedade com a sustentabilidade. Se a arte é fundamentada na liberdade, essa homenagem à Krajcberg, se faz sentir fortemente no âmbito da produção artística contemporânea, e seus efeitos são marcantes no que concerne a produção cultural, e, claro, no debate permanente sobre a preservação do meio ambiente.

Neste conjunto de obras reunidas pela primeira vez e exibidas na Galeria Frente, procurou-se trazer ao público exemplares que retratam a pesquisa e luta permanente de Krajcberg, e demonstrar que eles mantêm entre si uma relação bastante intensa, estando permanentemente sujeitos a novas leituras, e que o processo de integração de uma poética se dá lentamente e depende de códigos preestabelecidos. Neste universo artístico, que reúne desenhos, pinturas, esculturas, se apresenta um artista, livre e independente dos critérios de prestígio que, na ordem do simbólico, regem o meio artístico e cultural.

Obrigatoriamente, este artista contesta a barbárie do homem sobre a natureza, através de sua obra se apropria de novos valores. Cria utilizando resíduos da floresta atacada. É seu instrumento para provocar a luta simbólica entre os agrupamentos sociais, o poder de consolidação do “bom gosto”, da vida cotidiana, e do meio ambiente. Certamente aproximar-se das obras de Frans Krajcberg, nos limites do campo da arte, requer conhecer as estruturas de dominação e comprová-las na materialização de obras impactantes, onde criador e criatura estão unidos de forma visceral.

A obra de Frans Krajcberg, supera o espaço restrito do mercado onde já é artista consagrado, mas reage por estar cercado de trocas desiguais, com disputas em torno da arte. É, em sua essência, a materialização através da arte da luta permanente pelo futuro do planeta. Trata-se de uma lógica interna, com limites e forças diversas, sendo que seu modo de produção poética se dá a partir de um conjunto de relações marcadas por sua história de vida: sua participação na Segunda Guerra Mundial, quando integrou o exército polonês em 1941, a perda de seus familiares na Polônia, e suas experiências em Paris com Fernand Léger e Marc Chagall, que o incentivará a vir ao Brasil, onde esperava viver em um ambiente natural, longe dos horrores produzidos pelos homens.

Ao chegar no Rio de Janeiro, em 1948, permanece por poucos dias sem acomodação, e então parte para São Paulo onde viria a ter contato com Lasar Segall, amigo que o indicará para trabalhar nas Indústrias de Papel Klabin no interior do Paraná. Em 1950, deixa o emprego e decide pela vida solitária, embrenha-se nas matas, passa a pintar e desenhar com pigmentos que extrai da natureza.

É premiado como melhor pintor na IV Bienal de Arte de São Paulo em 1957, e a partir de então passa a circular entre o Brasil, França e Espanha. Em 1964, recebe o Prêmio Cidade de Veneza. Após muitos anos em trânsito, Frans Krajcberg, em 1972, retorna ao Brasil e fixa residência em Nova Viçosa, no sul da Bahia, onde vive até hoje.

No entanto, este artista não é um mero contestador. Decidiu dedicar sua vida em prol do futuro de todos. Não como recusa do mundo, em que o estilo de vida do artista representa o distanciamento, mas sim como um ser humano que luta por sensibilizar a todos de que não há mais tempo a perder.

Esta homenagem não pretende debater sobre a trajetória de um artista, cuja importância e singularidade já são reconhecidos, mas sim demonstrar a transversalidade dada pela arte nas relações da sociedade com o meio ambiente, tema de fundamental importância nas relações entre humanos e não humanos, e que determinará o futuro do planeta.

Por Roberto Bertani

Frans KrajcbergFrans KrajcbergFrans KrajcbergFrans KrajcbergFrans KrajcbergFrans KrajcbergFrans KrajcbergFrans Krajcberg

Obras

escultura em madeira policromada
óleo sobre tela
óleo sobre tela
óleo sobre tela
óleo sobre tela
óleo sobre tela
óleo sobre tela
escultura em madeira monocromada
óleo sobre papel moldado em tela
óleo sobre papel moldado em tela
óleo sobre papel moldado em tela
madeira monocromada
escultura em madeira monocromada
escultura em madeira monocromada
escultura em madeira monocromada
escultura de madeira policromada
escultura em madeira policromada
nanquim sobre papel
pedra policromada sobre madeira
pedras policromadas sobre madeira
pedras policromadas sobre madeira
madeira corroida pelo terredo e carvão sobre placa
escultura em madeira policromada
escultura em madeira monocromada
escultura em madeira policromada
escultura em madeira monocromada
escultura em madeira policromada
escultura em madeira policromada
escultura em madeira monocromada
escultura em madeira monocromada
escultura em madeira monocromada
escultura em madeira monocromada
escultura em madeira policromada
escultura em madeira policromada
escultura em madeira monocromada
escultura de madeira policromada
papel moldado
papel moldado
esculta em madeira e livro com gravura
escultura em madeira policromada
óleo sobre papel moldado em tela
escultura em madeira policromada
papel moldado e pigmento sobre madeira